Thiago Pethit, música e poesia de um solitário jogado na multidão


Amante urbano, dândi, estrela decadente, ou um rockstar? Talvez nenhum desses adjetivos sejam suficientes para rotular Thiago Pethit. Aliás, seria falha a tentativa de rotulá-lo com qualquer adjetivo. Músico, cantor e compositor, o paulistano ainda encontra tempo para atuar nos cinemas e participar de projetos de fotografia. 

Thiago Pethit por Rafael Barion.
Entre um trabalho e outro, Thiago Pethit segue compondo e criando, alimentando o desejo dos seus seguidores e energizando a si mesmo. Em entrevista exclusiva ao CartolaMAG.com, ele conversa sobre sua relação com os fãs, as mudanças do cenário musical ao longo da carreira, entre outros assuntos que o tornam um artista cada vez mais instigante.

Artista independente – algo que tanto valoriza, em 2014 lançou seu terceiro álbum, Rock’n roll sugar Darling, marcado por sonoridade que evolui em relação aos discos anteriores. Quanto ao processo de evolução na carreira, do início até os dias de hoje, ele afirma que, na prática, os desafios são quase os mesmos. O mercado musical sobretudo o independente, mudou muito de lá pra cá. Porém apesar dessas mudanças, as dificuldades principais continuam as mesmas: como alcançar e manter um público interessado em minha obra? Como comunicar melhor? Como sustentar mercadologicamente essa obra, e sobretudo como sobreviver de um mercado que não tem regras claras e é quase insustentável? Desde que eu comecei, os artistas cada vez mais precisam enfrentar o desafio de serem mais do que artistas, e não acredito que isso vá mudar. Pelo menos não até os meus próximos 3 discos”.

Foto: Rafael Barion.
Aparentemente, ele vem assumindo o papel de ser um “artista que é mais do que artista”. Mais do que um cantor, Thiago é representante de uma geração urbana, marcada por angústias e solidão, e usa a música como ferramenta para comunicar esses sentimentos, e compartilha-los com seus semelhantes.

Imaginando intuitivamente a vida desse artista, é inevitável pensar que o cotidiano e o palco se misturem de forma intensa, porém Thiago nos surpreende, dizendo que não. Para ele, o trabalho e a vida pessoal “são coisas completamente diferentes. Eu nunca gostei de exposição, sou extremamente tímido, antissocial. Esse Thiago mais ‘solitário e reservado’ é o que cria e pensa músicas de forma muito pessoal. Depois, existe o Pethit, que assume identidades, assume imagens e discursos a partir dessas músicas. E gosta de se jogar na multidão”.

Foto: Gianfranco Briceño.
A essa multidão, incluem-se jovens de diversas idades, que se identificam com o Thiago Pethit através da sua personalidade tão singular, seu jeito de se vestir, e o modo como leva a vida – geralmente compartilhada numa rede social, como um bom e velho representante da geração internet.

Nesse sentido, essas redes servem como uma ferramenta para trocar ideias com o público, e ampliar as suas inspirações, como ele nos revela: “a necessidade de comunicar-me, de trocar, de saber, e pensar junto com o público, é sempre a linha condutora. Acredito até que todos os meus trabalhos estão sempre a favor da mesma mensagem, porém, se comunicam de formas diferentes”. 

Essa comunicação proposta por Pethit rompe imposições, barreiras e inclusive, os limites territoriais. Em turnê pelo Brasil, passou por importantes festivais de música no Nordeste, aproximando-se e conhecendo uma leva de artistas responsáveis pela nova produção musical da região. Dentre essa geração, ele destaca a banda natalense Camarones Orquestra Guitarrística e o pernambucano Johnny Hooker, com quem já dividiu palco. Em grandes festivais ou em shows intimistas, Pethit performa, comunica e mostra a que veio.



Independente do suporte utilizado, a mensagem emitida por Thiago Pethit tem sido espalhada e vem alcançado voos cada vez mais distantes. Sua música e poesia invadem a alma tanto daqueles que o escutam pela primeira vez, quanto dos amigos que já aceitaram “se perder por aí”.
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