Diego Fávaro e sua moda sem gênero

Arquitetura como fonte de inspiração para dar forma às roupas


Ter uma mente em constante processo criativo é uma característica base quando pensamos em profissionais promissores para o mercado de moda, pois é fato que os fashionistas de plantão sempre ficam à espera da próxima ideia. Com essa efervescência no meio fashion novos talentos surgem, um nome que tem ganhado expressividade é o do Diego Fávaro, que embora tenha se formado em arquitetura em 2011 acabou enveredando pelos caminhos da moda. A ligação pela área sempre fez parte do seu cotidiano por integrar uma família de costureiras e comerciantes.

Diego Fávaro verão 2016. Foto: Marcelo Soubhia/ag. Fotosite

Em entrevista exclusiva para CartolaMAG.com, o arquiteto e urbanista por formação e estilista por vocação contou que ao terminar o colégio aos 17 anos não sabia com exatidão o que queria como profissão e acabou escolhendo a arquitetura por impulso, muito embora haja uma forte ligação entre às áreas. E assim, de forma paralela deu continuidade à graduação e fez um curso de corte e costura.  “Terminei a faculdade de arquitetura, me formei e trabalhei na área, mas via que não estava completamente feliz. Larguei o emprego para me aventurar entre linhas e tecidos”, as estruturas que seriam inscritas em concreto, deram vez aos tecidos, sendo o tule a menina dos olhos.

Quando questionado sobre os desafios encontrados em seu processo criativo, o estilista mostra uma opinião muito precisa, onde tudo que executa é fruto de processo espontâneo, já pensando a roupa em sua forma tridimensional. Sem o conflito de transpor a ideia para o papel e depois problematizar a execução das peças. Ele conta que suas criações surgem realmente do que vem de dentro, garantindo assim autenticidade das peças, que sempre surgem em styling com imagem de moda forte.


Casa de Criadores - Diego Fávaro Inverno 2016. Foto: Marcelo Soubhia/ag. Fotosite

Basta ver as criações assinadas por Diego Fávaro para perceber o quão pessoal é seu trabalho, uma de suas metas é estabilizar as vendas virtuais, espalhar seu produto em pontos de venda físico e então abrir uma loja própria. Frente a essa pretensão pergunto qual o perfil do público que veste Diego Fávaro e de pronto modo ele rebate contando que a pessoa que veste seus itens é contemporânea e livre de preconceitos, regras de estéticas e classificação de gêneros.

 + Veja o Editorial “Into the Shadows”, fotografado por Felipe Rufino, com looks de Diego Fávaro e Rafael Caetano. Exclusivo para CartolaMAG.com

Ele é audacioso em dizer ter esperanças que em pouco tempo não haja mais separação entre masculino e feminino nas lojas. E completa, que o século XXI veio para transformar tudo o que foi ditado na moda em relação à diferenciação de gêneros. Segundo sua visão, as pessoas estão evoluindo e se expressando de forma sincera, de como elas se sentem, de como vivem.

Realmente libertador pensar em uma moda sem fronteiras de gênero, desmistificar a roupa do caráter do indivíduo, tal qual, a sua orientação sexual. É extremamente interessante ver uma nova safra de mentes criativas lançando ideias nesse sentido, rompendo conceitos prontos e contribuindo para uma sociedade igualitária, com liberdade de expressão, inclusive a de vestir.



Para fechar a entrevista levanto a questão do significado de produzir moda e reflexo disso em sua vida “A moda, assim como outras formas de expressão criativa é algo terapêutico. Não há nada mais impressionante, você sentir algo emocionalmente e transportar isso em algo palpável, que outras pessoas irão consumir. É como se aquela pessoa que usa e consome, entendesse o que você sentiu, e o porquê você fez daquela forma”, poesia vinda desse talento chamado Diego Fávaro.

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